sábado, 4 de setembro de 2010

A verdadeira famíla CQC

ATENÇÃO: esse post é antes de tudo uma brincadeira, pode ter graça ou não, mas foi criação de uma das donas do Tas Maniacas.

O termo família geralmente damos aos pais, tios, avós, enfim, parentes e agregados em geral. O fato é que em um dos comentários de Marcelo Tas na bancada ele denominou a equipe toda do CQC de familia e esse termo pegou no twitter entre os fãs clubes, devido a união de ALGUNS deles. 
Em um momento de brincadeira, inventamos o que seria uma 'verdadeira' família CQC.


Marcelo Tas: O pai, aquele que passa a experiencia de vida para os mais novos da familia. Um verdadeiro chefe da casa!

Marco Luque: O filho brincalhão. Aquele menino sapeca que apronta todas e que só falta enlouquecer o pai!


Rafinha Bastos: O filho revoltado. Aquele que tudo fala, sem medo de nada e que muitas vezes é o que mais dá problema.

Felipe Andreoli: O filho comportado, mas que ama pegar uma mulher por aí!


Danilo Gentili: o filho dificil. Por mais que não fale pra fazer, ele sempre faz tudo ao contrário!

 Rafael Cortez: O filho carente, o poeteiro, o músico da familía.


Oscar Filho: O filho caçula, o comportado, aquele menino que toda mãe queria ter. Quietinho, na dele, que só faz o que é de sua obrigação!

Monica Iozzi: A única filha. Delicada, mas que na hora de mostrar do que uma garota é capaz, ela faz isso muito bem! 

 
Palmirinha: A musa do Top Five e a partir do programa CQC112 se tornou a Mama desses meninos. Afinal, tirando a Hebe e a Ana Maria Braga, não é qualquer uma que chega nessa idade com essa simpatia e bom humor. Acho que nem a Ana Maria Braga e a Hebe conseguiram chegar nisso né?!


E por ultimo e não menos importante, os produtores: que na familia fazem o papel dos tios, agregados e afins!

Eis, nossa família CQC. Ou o que seria na nossa visão, uma verdadeira família CQC!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Coluna do Marcelo Tas na Crescer do mês de setembro

Pai Laboratório


 Tio maluco, animal em extinção!

Há um personagem fundamental, pouco valorizado na educação das crianças: O tio maluco. Nessa era do assustador politicamente correto, o tio maluco merece carinho especial e ser protegido da extinção como um mico-leão-dourado.
A função básica do tio maluco é nos salvar da proteção excessiva dos pais, figuras que estão no mundo com a missão de deixar as coisas mais limpinhas e bonitas do que de fato são.
Se os pais funcionam como um Photoshop da verdade - um programa de computador que deixa os políticos e as meninas da revista "bem na foto", os tios malucos são os grafiteiros da realidade, os caras que nos guiam pelos vídeos emocionantes e quase sempre esburacados da vida como ela é.
Toda vez que o universo conspira para que eu exerça o papel de tio maluco, me atiro à função sagrada com devoção, respeito e disciplina de bailarina russa.
Na virada de 2000 para 2001, passei duas semanas rodando pela Califórnia dentro de uma van alugada com mais 5 mulheres! Não era um reality show, mas parecia. Eu era o motorista. As cinco passageiras eram minha mulher e minha filha, mais uma amiga e as duas filhas dela. O marido ficara no Brasil. Tal casal significava, e ainda significa, para mim o que se chama no popular de "compadres". E mais: Eu também era oficialmente, e ainda sou, o padrinho de Maria, a filha mais nova deles, na época no auge dos seus 5 anos.
Deixamos Los Angeles em direção à uma floresta de sequoias, as árvores mais altas e antigas do mundo. De lá partimos para o parque Yosemite. Em seguida para uma estação de esqui sobre as Montanhas Rochosas...A cada dia nos lançávamos na estrada sem compromisso em busca de algum divertimento e um lugar para passar a noite. Dentro da van, me especializei em destrinchar mapas e provocar Maria com piadas absurdas e histórias escatológicas. Coisa de tio maluco.
A história predileta dela era uma em que eu não pude controlar uma dor de barriga e fiz cocô nas calças. Claro que, especialmente para Maria, inventei cenas extras com direito a jatos marrons que saíam das minhas calças tingindo paredes brancas de uma suposta sala do meu colégio. Ela se contorcia no banco do carro de tanto rir. A história nem bem acabava e ela, gargalhando, implorava: De novo, conta de novo!
De repente, provavelmente cansada de tanto brincar, ela interrompeu a minha narrativa com um palavrão de gente grande. A mãe até acordou de susto. Todos começaram a admoestá-la pela falta de educação. Imediatamente, saí do personagem e, seriamente assumi a defesa, solene como um advogado no tribunal do júri:
- Maria tem toda razão. Eu é que errei. Prometo que nunca mais vou aborrecê-la com minhas histórias bestas, a não ser que ela peça. Tá bom assim, Maria?
- Tá bom, concordou ela sem muita convicção.
No dia seguinte, de volta à estrada, havia uma expectativa no ar. Passei a falar apenas coisas sensatas. A viagem foi ficando maçantee os passageiros cairam no sono. Menos Maria, que permanecia inquieta, sempre atenta no seu posto de observadora aguda do mundo. Alguns longos minutos depois o silêncio é quebrado pelo sotaque delicioso da carioca serelepe de 5 anos:
- Tio Marcelo, conta um história beeem nojenta!
Muitos pais, erroneamente, torcem o nariz para o tio maluco, Talvez por desconhecerem que se trata de figura tão abençoada quanto necessária para a saúde mental dos filhos deles. Aproveito para agradecer: tio Valdemar, tia Marley, tio Zé, tio Joaquim, tio Pedrinho...Obrigado queridos tios malucos, vocês foram fundamentais na minha vida!

Marcelo Tas
Fonte- Revista Crescer

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Não vamos chutar o balde após liminar, diz Marcelo Tas

O humor venceu, pelo menos por enquanto. Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) retira o veto a piadas com políticos nas eleições, mas, para o apresentador do humorístico CQC, Marcelo Tas, ainda não é hora de "chutar o balde".
- É igual a quando você quebra o braço. Tiraram o gesso, mas você não sai dando soco com o braço que ainda está todo magrinho - justifica.
Uma decisão do ministro do STF, Carlos Ayres Britto, invalida parte da Lei 9.504/97, que proíbe "usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito". A medida foi sentida como uma ameaça pelos programas de humor nas eleições.
A liminar passou a valer quinta-feira (26), mas, para a decisão ser definitiva, ainda tem de ser referendada em plenário no STF.
Tas considera a atuação do ministro Ayres Britto "um alívio", mas acredita que a lei eleitoral criou uma "paranoia" nas emissoras de rádio e TV que não deve desaparecer tão facilmente.
- Eu participei de cobertura das Diretas Já, por exemplo. Nunca tive sobre a minha cabeça uma multa de R$ 150 mil e alguém que fala assim: "Cara, a emissora pode sair do ar se vocês fizerem esse tipo de coisa"... É claro que a gente teve essa conversa lá dentro da Rede Bandeirantes, emissora do CQC, como eu sei que nas outras emissoras aconteceu a mesma coisa. Isso gera um clima de intimidação.
Sobre o primeiro programa que vai ao ar depois da liminar, na noite desta segunda (30), Tas diz que não haverá "retaliação". Uma das principais marcas do programa - cartuns e efeitos aplicados sobre a imagem de um entrevistado - foram aposentados na cobertura de eleições.
- Os nossos cartunistas eletrônicos estavam sem poder trabalhar e, evidentemente, agora a gente vai poder ir voltando a cobrir política.

Leia a entrevista na íntegra.

Terra Magazine - Como você recebeu a notícia da liminar concedida pelo ministro que muda a aplicação da lei eleitoral para os humoristas?

Marcelo Tas - Eu recebi com alguma esperança, porque bom senso no Brasil é triste, mas a gente tem que comemorar quando surge alguém com a sensatez do ministro Ayres Britto. Eu estava me sentindo envergonhado como brasileiro com as matérias que estavam saindo pelo mundo. Então recebi com alívio e espero não ter que passar esse mico daqui a algumas décadas ou daqui a alguns anos de novo.

Essa decisão ainda vai passar pelo plenário do STF, você acha que pode ser aprovada mesmo?

Eu espero que sim, né? Porque para mim o lado bonito disso é que houve uma movimentação. Uma movimentação inclusive de seres sem nenhuma importância que são os comediantes (risos) e que resultou num respeito à Constituição. Está assegurada a liberdade de expressão, mas quando entram no jogo os políticos, principalmente os políticos que não nos representam, pessoas que tem dificuldade de explicar o seu passado, tudo é possível. Como sempre, no Brasil, tudo é possível. Eu sou um rapaz que sofro deste mal do otimismo. Eu quero crer que o ministro Ayres inspire o Supremo para sepultar de vez uma coisa que ainda existe no Brasil que é o controle da expressão.

 Na decisão, o ministro Ayres Britto considerou a medida como uma censura prévia. É essa a sua opinião?

É uma censura prévia, mais que isso é um estado de paranoia e de intimidação. E aí eu posso te falar da minha experiência de estar dentro de uma emissora de televisão que é responsável e que quer seguir a lei. Ela acaba sofrendo uma intimidação de uma multa totalmente desproporcional. É só você olhar para a multa do presidente Lula e a multa dos palhaços. A multa do presidente é R$ 1 mil ou R$ 5 mil e a multa dos palhaços é R$ 150 mil. Estão dando mais importância para os palhaços que para o presidente da República.

O CQC suspendeu aqueles efeitos especiais que viraram uma marca do programa nas entrevistas. Com essa decisão, o CQC já vai ter isso de volta?

O CQC não tem nenhum interesse, diante dessa liminar, de sair chutando o balde. Nós estamos, na verdade, muito honrados e felizes de ter participado desse movimento, que foi apartidário, foi ligado a mais de uma emissora, a vários gêneros do humor. O CQC não quer fazer retaliação ou chutar o balde. Mas os nossos cartunistas eletrônicos estavam sem poder trabalhar e, evidentemente, agora a gente vai poder ir voltando a cobrir política. Principalmente sem a paranoia e a intimidação. Isso é o que eu acho mais grave. Uma emissora séria corre o risco de ser multada e sair do ar. É claro que a gente teve essa conversa lá dentro da TV Bandeirantes, emissora do CQC como eu sei que nas outras emissoras aconteceu a mesma coisa. Isso gera um clima de intimidação que não combina com o século XXI.

Isso ainda é uma coisa a ser discutida, então? A paranoia acabou?

É. A paranoia vai começar a se dispersar, eu diria. Não é que acabou. Uma intimidação é algo muito crônico. Quem já sofreu censura, quem já viveu sob a ditadura, sabe disso. Você demora um tempo para cicatrizar aquele jeito estúpido a que você estava limitado. É igual a quando você quebra o braço. Você fica com o braço enfaixado. O que aconteceu agora é que tiraram o gesso, mas você não sai dando soco com o braço que ainda está todo magrinho. É um grande alívio, acho que a gente tem que comemorar, sim. Uma coisa muito importante é que a sociedade perceba que precisa reivindicar. Quando você reivindica, você corre o risco até de ser ouvido.

Você falou de viver sob a ditadura. A sua experiência de agora foi parecida?

Foi pior! Porque eu tenho já uma certa idade, eu participei de cobertura das Diretas Já, por exemplo. Nunca tive sobre a minha cabeça uma multa de R$ 150 mil e alguém que fala assim: "cara, a emissora pode sair do ar se vocês fizerem esse tipo de coisa". Isso eu nunca vivi quando eu cobri, sei lá, as primeiras eleições. Aquela eleição do Fernando Henrique Cardoso aqui em São Paulo com o Jânio Quadros, que foi uma que eu participei na Record. Ao vivo, inclusive. Entrevistei o Fernando Henrique no café da manhã ao vivo, ele e dona Ruth. Não havia esse tipo de intimidação. É triste dizer isso, mas quem estava no governo era o Figueiredo, eram esses caras. Dessa vez, aparece essa regra que eu tenho absoluta certeza que é do interesse de algumas pessoas que estão no poder como o Sr. Sarney. Esse pessoal que é coronel. Para eles, é interessante manter esse pessoal sob controle, como eles fazem nos seus Estados de origem.

Para encerrar, uma mudança de assunto. O candidato a reeleição, deputado João Dado (PDT -SP) diz no horário eleitoral que foi "aprovado duas vezes pelo CQC". O que você achou disso?

É de um oportunismo que para mim indica aos eleitores que tiverem a intenção de votar nele que não votem. É isso que eu sugiro. Porque de nossa parte a gente não aprovou ninguém. Ele está se referindo ao nosso quadro Controle de Qualidade - no quadro, os deputados respondem sobre perguntas de atualidades, Dado acertou as duas perguntas feitas a ele. Se ele se acha aprovado porque ele trabalhou corretamente, ele não fez mais que a obrigação. Pelo oportunismo, eu sugiro que os eleitores não votem nele. Eu não gosto de oportunismo.

domingo, 29 de agosto de 2010

Trecho de uma entrevista de 7 anos atrás, cedida por Marcelo Tas

Trecho da entrevista ao World Tennis que Marcelo Tas deu há quase 7 anos atrás!


Jogo rápido!

Nome: Marcelo Tristão Athayde de Souza

Idade: Na época 42 anos, hoje 50!

Mania: Ouço rádio o dia inteiro. Assisto corridas de F1, escutando a transmissão da rádio

Medo: Da solidão, é o maior medo que existe.

Supertisção: Quando entro em um lugar onde nunca estive, coloco o pé direito na frente. 

Fato marcante: ser reconhecido por uma criança, um região distante, três dias de viagens da cidade de Tefé, no estado do Amazonas! Ele lembrou de mim por causa do "Castelo Ra-Tim-Bum"

Melhor trabalho: O espetáculo: " Zap, o resumo da ópera"

Apresentador: Jô Soares

Programa de Tv: Casseta & Planeta

Lugar para se distrair: Galeria do Rock, na rua 24 de maio, São Paulo

Dia de Stress: quando preciso tomar dois comprimidos de Tylenol 

Um dia de sussego: Quando estou em São Bento do Sapucaí (SP)

Livro: " As consolações da filosofia" de Alan de Botton

Filme: Cidade de Deus

Peça de teatro: Qualquer uma do Pedro Cardoso

Lição de vida: Meu trabalho no Jardim Ângela

Conquista: Completar 20 anos na Tv. Nunca pensei que fosse passar tanto tempo em televisão

Derrota: Quando perco a paciência. O que não acontece muito.

Música: O verdadeiro funk 

Comida: Massa com cogumelos

Lugar no mundo: Barcelona

O que ainda não fez na vida: Aprender a Surfar e ir até uma estação espacial

Sites que visita: Da Embrapa (www.cnpm.embrapa.br ) para ver todo o Brasil por meio de imagens de satélites; da Rádio1 da BBC de Londres ( http://www.bbc.co.uk/radio1) que toca todos os suingues que possa imaginar e também os diversos blogs que estão por aí. 


Como disse no inicio do post,  essa entrevista foi dada há 7 anos atrás. Marcelo Tas ainda apresentava o programa ''Vitrine'' na Tv Cultura. Algumas coisas podem ter mudado, exceto o medo que continua o mesmo, segundo o que ele disse a apresentadora Adriane Galisteu em seu programa, o 'Toda Sexta'!

EXCLUSIVIDADE DO BLOG



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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

É mais difícil entrevistar políticos hoje do que na época da ditadura

Nos anos 1980, Marcelo Tristão Athayde de Souza era estudante de engenharia. Num jornalzinho da faculdade, descobriu o dom para a comunicação e o nome que lhe acompanharia: Marcelo Tas (tirado das iniciais de seu sobrenome). Dali pulou para uma produtora que apontava novos caminhos para a tevê. Seu personagem mais famoso, Ernesto Varela, desconcertava políticos com perguntas inusitadas. Nunca mais deixaria as telinhas, e nem a aspiração pela ousadia. Entusiasta da internet, Tas ironiza os que se põem contra os avanços tecnológicos: “Eles estão boiando”. Hoje comanda um dos mais elogiados programas da tevê aberta, o CQC. Como no começo da carreira, continua a deixar os políticos embaraçados. “O maior medo deles é estar diante de uma situação na qual são obrigados a dizer a verdade”, conclui.


 Como um estudante de engenharia foi se ligar em comunicação? 

Havia um jornalzinho anarquista na faculdade que eu adorava. Me tornei editor e fiquei três anos na função. Eu escrevia uma espécie de coluna social que se chamava Calúnia Social. E detonava o movimento estudantil, tanto da esquerda quanto da direita. Um dia, entrevistei uma menina linda ligada à esquerda. Só que na entrevista falamos apenas de sua vida sexual, de namorados, orgasmos. Fui até ameaçado, mas ela adorou a entrevista… Isto sempre aconteceu na minha vida: o pessoal da esquerda acha que sou de direita, o da direita acha que sou de esquerda, e recebo pancadas dos dois lados.

Você criou essa imagem propositalmente? 

Não. Eu faço o que gosto, de forma intuitiva. Não tenho nenhuma intenção de esconder minhas convicções. Se quiserem saber realmente sobre o que penso do Lula, do Serra, do Quércia, deixo claro minha opinião. Mas sou discípulo daquele ensinamento do Chacrinha: “Eu vim pra confundir, não pra explicar”.

Na produtora de vídeo Olhar Eletrônico, quais eram as aspirações do grupo? 

Nossas aspirações eram simplesmente as máximas possíveis. Escrevemos nossa intenção num livro de ata: “Revolucionar a tevê do terceiro milênio”, desse jeito mesmo. A tevê era muito quadrada, feita com câmeras grandes, pesadas. Ninguém tinha câmeras em casa. Até que conseguimos umas menorzinhas. Íamos às ruas, inventávamos nossas próprias matérias e víamos que o resultado era similar a uma matéria de tevê. Só não tínhamos lugar para veiculá-las. Isso até o apresentador Goulart de Andrade começar a exibir nossas matérias.

Havia desconfiança em relação ao que vocês faziam? 

Éramos totalmente pró-tecnologia e rolava um certo preconceito. Igualzinho ao que rola hoje em relação à internet. Os intelectuais da USP diziam: “A televisão, o vídeo, é tudo uma diluição e blablablá”, aquele monte de conceitos. Igual ao que se fala hoje do Twitter. Eles estavam tão perdidos naquela época como estão perdidos hoje. Continuam boiando… Diante de uma novidade, há quem prefira se manter na ignorância, na distância, no “não me misturo com isso”. Essas pessoas não veem que o mundo já foi transformado por essas tecnologias.

Nessa época surgiu o Ernesto Varela. Como era, ainda na ditadura, fazer perguntas tão provocativas a políticos? 

Muito excitante. E digo mais: hoje é mais difícil entrevistar políticos do que na época da ditadura. No CQC temos um controle absurdo na hora de falar com políticos. Para se aproximar do presidente ou mesmo de um candidato a deputado, temos que passar por barreiras de segurança. Às vezes apanhamos – coisa que não acontecia quando me aproximava do ex-presidente Figueiredo, por exemplo. Jamais um segurança do Figueiredo me deu uma porrada na frente das câmeras.

Por que os políticos lidam tão mal com programas como o CQC?
 

O maior medo deles é estar diante de uma situação na qual são obrigados a dizer a verdade. Eles têm aparatos gigantescos para evitá-la: marqueteiros, assessoria de imprensa, estrategistas, seguranças, carros blindados. Eu acho uma burrice. Porque algo diferente, mais quente, seria bom para eles. Hoje é tudo morninho, tudo “photoshopado”… Eles acreditam que, assim, cuidam das suas imagens. Pelo contrário. Assim a imagem deles perde totalmente a relevância. O que pensam não repercute na opinião pública, ninguém está nem aí. Aos poucos, o CQC foi ganhando relevância porque com a gente eles falam de outro jeito. O primeiro a sacar isso foi o Lula. Depois, o Maluf, que é muito esperto. Ele sabe que, por mais que apanhe ao se aproximar do microfone do CQC, vai interagir com pessoas que não se importavam mais com ele. E pode ser até que ganhe novos simpatizantes.

Em 1986, como Ernesto Varela, você entrevistou Nabi Abi Chedid e ocorreu uma discussão homérica. Há pouco tempo ocorreu o mesmo com o prefeito de Barueri durante uma matéria do CQC. Os acontecimentos foram parecidos?  

Os dois casos têm muito a ver. Mas, para fazer justiça ao Nabi, ele nunca tentou me censurar, mesmo com poderes para isso. Ele era chefe da delegação na Copa de 1986 e havia proibido os jogadores de falar sobre política. O Brasil vivia eleições, e tínhamos a seleção mais politizada da história: Sócrates, Casagrande… Eu estava indo fazer outra reportagem pelo pool SBT e Record quando ouvi a notícia pelo rádio do carro e resolvi ir para a concentração. Estava rolando uma entrevista coletiva, e, para minha surpresa, ninguém havia questionado o Nabi sobre a proibição. Só no fim da coletiva consegui pegá-lo. Rolou uma grande discussão, ele me chamou de mau brasileiro e outras coisas mais. Talvez seja uma das minhas entrevistas que mais repercutiram. À noite, no hotel, toda a cúpula dos cronistas esportivos nos visitou para ver a matéria em primeira mão: Juca Kfouri, Alberto Helena, Ricardo Kostcho. Mas não recebi represália nenhuma do Nabi. Tive acesso total aos treinos e aos jogos. Hoje rola uma limitação gigantesca ao trabalho do jornalista e a gente acha normal. É revoltante este ambiente de censura em que vivemos.

Como no caso do prefeito de Barueri? Por que ele agiu daquela forma agressiva? 

Ele agiu no DNA antigo, que chamo de DNA analógico – quando só se fala, não se ouve. Danem-se o telespectador e o eleitor. Age-se como se não fosse haver reação. No mundo digital, as coisas são diferentes. Mas um prefeito do interior de São Paulo conseguir censurar um programa televisivo… Isso é muito preocupante. O Brasil avançou numa série de coisas, mas ainda há instrumentos de censura à livre expressão.

Como falar de política em ano de eleição? 

Nós brincamos de Chico Buarque, “fazendo música” com segundos, terceiros, quartos sentidos. No período em que as pessoas mais querem discussões políticas, é proibido ter debate político na tevê. É ridículo. Chega ao ponto de cartunista ser proibido de ironizar a figura dos candidatos. O que vai fazer um cartunista sem ironia? É a mesma coisa que um médico sem bisturi. Isso despolitiza uma geração. Pelo CQC, percebo que as pessoas estão voltando a se interessar por política.

Você acredita que a tevê melhorou dos anos 1980 pra cá? 

Não digo que melhorou. Prefiro dizer que andou bastante. Mas ainda está muito aquém do que o telespectador espera, principalmente no quesito ousadia. O telespectador já está pronto para a ousadia, e a tevê fica sonegando isso. Vai soltando homeopaticamente. A ousadia dá sempre certo: CQC, Pânico, TV Pirata, novela Pantanal. Mas olha essas novelas atuais… São todas iguais. Os mesmos cenários, os mesmos apartamentos. Parece que são filmadas na Tok&Stok.

A internet é uma revolução nos meios de comunicação? 

A internet é um nó dramático em nossa história. O rádio, a tevê, o jornal, o cinema foram cortes lineares. A internet é um corte não linear, que afeta toda a cadeia. Antes, aparecia a tevê e afetava um pouco o cinema. Logo depois os dois conviviam novamente. Agora temos um corte que afeta da indústria de pasta de dente à produção de livros, da tevê à indústria fonográfica. E tudo ao mesmo tempo.

E no campo educacional, o que mudou?
 

A escola deve estar muito atenta à internet. O aluno que chega hoje numa sala de aula não tem mais um único provedor de informação, como eu tive, que era o professor. Hoje tem milhares. O aluno precisa desenvolver outras habilidades para discernir, filtrar as informações às quais tem acesso. O papel do professor hoje é auxiliá-lo neste processo.

Qual é o papel do Brasil diante de tantas transformações mundiais? 

O Brasil precisa chegar ao presente. Nós fomos durante muito tempo em direção ao futuro. Agora temos que chegar ao presente e perceber que temos uma chance enorme nas mãos. Nem é preciso grandes elucubrações filosóficas. Hoje, ao lado da Índia, do México e de alguns outros países, temos uma chance gigantesca de começar a ter um papel relevante na história humana. Claro que sem esse primitivismo com que tratamos a liberdade de expressão, sem esse pouco investimento em educação. Nossa chance está presente. As pessoas, mesmo que aos trancos e barrancos, estão cada vez mais tendo acesso à informação, indo à escola, se formando. O País tem saúde comercial. Quer um exemplo? Nossos voos estão sempre lotados. Às vezes pego avião em horários inusitados e percebo esse fenômeno. Tem voo às 23h de São Paulo a Aracaju, e está totalmente cheio. Dá vontade de perguntar: “O que vocês estão indo fazer em Aracaju a esta hora?!”.

Fonte

Coluna do FC: Professor Tiburcio e minha sapequice

Criança é um serzinho danado de criativo né?! Pois é.. eu não fui diferente. Mas, além de ser muito criativa era desconfiada demais, mais até do que sou hoje.
Num certo episódio da série Ra-tim-bum, Marcelo Tas na pele de Professor Tiburcio falava sobre sapatos. E uma frase dele intrigou minha mente na época.
Claro que nessa época passava apenas as reprises da série, mas me lembro muito bem o que aprontei depois de assistir esse episódio, levada por uma teoria de teste pra saber se o que o professor Tiburcio havia falado era verdade ou não.
Eu na flor dos meus 4 ou 5 anos fui querer saber mais se realmente sapato não se cozinha ou melhor, não se comia. E qual foi o jeito que arranjei para testar isso?! Foi assim...
Peguei uma cadeira na cozinha, coloquei próximo ao fogão, tirei o sapato que eu estava no pé e coloquei dentro da panela a qual minha mãe cozinhava um bom macarrão. Minha mãe quando viu a cena me pegou no pau e o que seria uma macarronada italiana se transformou num belo castigo à mim.
Com isso, analisando esta cena um dia desses percebi que Marcelo Tas sempre aguçou meu lado critico e de sempre querer saber e testar as coisas que eu via ou me diziam, para realmente acreditar se era verdade ou não.
Professor Tiburcio foi o primeiro trabalho do Tas que eu acompanhei de fato, depois veio Telekid e hoje o CQC o qual ele apresenta.
E desde daquele tempo Marcelo sempre me instigou a ter esse ar critico e não me contentar com um simples porque sim. Hoje posso dizer: Obrigada Marcelo Tas por ter esse talento de jornalista e essa alma de professor.

Tenho que fazer uma confissão. Confesso-me que soy enamorada pelo Professor Tuburcio até hoje, quando revejo episódios dele com minha sobrinha no canal do youtube. E aquele personagem ainda me encanta tanto que num sonho, veio um poema ou o que seria um justamente sobre ele (-;


Para um jornalista professor 




Na infância...
Em meio a brinquedos e sonhos
Havia um personagem encantador
Não era de desenho animado
Muito menos criação da minha imaginação
Ele era um professor

Com uma roupa inusitada
Surgia de um mundo surreal
Mas que de tão encantador
Transformava de um sonho, algo real

Com um simples Olá Classe
E um instrumento em mãos
Que muito me lembrava a batuta de um maestro
Ele regia sua classe virtual
E milhões de olhinhos curiosos que ali o viam
Através de uma tela de televisão

Hoje a menina cresceu
Mas o professor não mudou
Exceto pela roupa que deu lugar
A um terno e gravata
E seu instrumento que se transformou...
Em um lápis e um roteiro
De um programa de humor.

Marcelo Tas é hoje para mim, um exemplo de sinceridade, talento e sobretudo profissional. E pretendo seguir esse exemplo seja lá qual for a profissão que eu tenha escolhido. Valeu Tas!☺ 

Ps: Vocês também podem ter seu texto publicado aqui. Conte uma história envolvendo algum trabalho de Marcelo Tas ou nos conte a influencia que ele teve na sua vida ou algo assim. 
Envie o texto para o email tasmaniacas@hotmail.com e até a próxima coluna!

sábado, 21 de agosto de 2010

Humoristas fazem neste domingo passeata contra a lei eleitoral

RIO - Um grande elenco do humor é esperado na passeata marcada para este domingo, às 15h, em frente ao hotel Copacabana Palace, no Rio. A razão da mobilização é a limitação imposta pela lei eleitoral , que proíbe sátiras a candidatos durante a campanha. Segundo o grupo Comédia em Pé, organizador da manifestação, mais de 50 profissionais do riso confirmaram presença, entre eles Helio de La Peña, do "Casseta&Planeta", Danilo Gentili, do "CQC", e Sabrina Sato, do "Pânico na TV", Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo e Leandro Hassum. ( Leia mais: Para especialista, humor na política deve ser preservado )
Recentemente, os humoristas iniciaram uma onda de protestos através de redes sociais, como o Twitter, para mobilizar a opinião pública em torno de uma mudança na lei. ( Leia mais: Leitores do GLOBO não concordam com restrição ao humor )

- A internet acaba sendo uma válvula de escape para criticar o que está errado. Com a ajuda de mídias sociais, estamos conseguindo chamar a atenção de muita gente para a censura ao humor - diz o comediante Fabio Porchat, um dos organizadores do protesto.
A lei eleitoral, aprovada em 1997, proíbe que "emissoras de rádio e TV usem trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação". Para alterar a lei, especialistas apontam dois caminhos. O primeiro seria mudar o texto original, o que exigiria a aprovação no Congresso. Por ser período de campanha eleitoral, a alternativa é considerada quase inviável, por exigir a mobilização de políticos que serão alvos preferenciais dos humoristas.

"Diante da palhaçada, alguém tinha que fazer algo"

A segunda opção seria recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) requerendo uma declaração de inconstitucionalidade do trecho da lei eleitoral relacionado ao humor.
- O papel do TSE é o de mero administrador das eleições, por meio da aplicação da lei eleitoral. Já ao STF cabe a guarda da Constituição. Se uma ação direta de inconstitucionalidade for proposta, o STF poderia conceder uma medida cautelar suspendendo os efeitos desse dispositivo da lei eleitoral até o julgamento final da ação - diz Gustavo Binenbojm, professor de direito constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Ele ressalta que a discussão extrapola a reivindicação de uma categoria profissional:
- O que está em jogo não é a defesa de interesses das emissoras ou artistas, mas a defesa da cidadania brasileira. É um direito do cidadão ter acesso a esse tipo de crítica.
Os organizadores da passeata redigiram um manifesto pedindo o fim da censura às piadas. Para eles, "as restrições impostas aos profissionais do humor são francamente inconstitucionais, uma forma arbitrária e espúria de censurar". 

Marcelo Tas, apresentador do "CQC", considera importante a manifestação em Copacabana:
- Humoristas são criaturas que não nasceram para organizar passeatas. Mas, diante de tamanha palhaçada no processo eleitoral brasileiro, alguém tinha que fazer alguma coisa. Mesmo que seja uma passeata de palhaços, o que não deixa de ser patético, mas animador. 

Fonte- O Globo